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Derivados do petróleo: ingredientes cosméticos de sucesso, mas… preocupantes?
Derivados do petróleo: ingredientes cosméticos de sucesso, mas… preocupantes?
Os consumidores querem saber o que está nos seus cosméticos. Mas afinal, o que são os derivados do petróleo, porque estão em tantos produtos, e devemos mesmo preocupar-nos?
Durante os últimos anos assistiu-se a um aumento da procura de informação por parte dos consumidores. Os consumidores querem saber o que é o produto, de onde vem, como é formado, e para que serve cada um dos seus constituintes.
Os consumidores tornaram-se mais conscientes da presença de ingredientes derivados da indústria petroquímica em todos os tipos de artigos cosméticos, desde os produtos de banho aos hidratantes de rosto, passando pelos bálsamos labiais e até pela sua pasta de dentes! Pode nem o saber mas anda — literalmente — a “comer” óleo mineral.
Mas afinal, o que são os derivados do petróleo?
Na verdade, os ingredientes derivados do petróleo são fantásticos! Esta indústria está tão bem estabelecida há mais de um século, e a maioria dos compostos orgânicos obtidos do petróleo em bruto estão muito bem caracterizados. Mais que isso: o petróleo é composto por moléculas tão variadas que podem ser separadas em frações de acordo com o seu ponto de fusão.
Estas frações poderão depois ser usadas como óleos em fase líquida, óleos que só estão na fase líquida a determinada temperatura do ambiente, óleos que nunca solidificam a baixas temperaturas, ceras com diferentes gamas de temperaturas, polímeros vários, etc. A lista continua e é fácil imaginar todas as aplicações possíveis para estes óleos, ceras e afins.
E a maior magia: todos estes componentes são versáteis! Podem ser alterados facilmente, adicionando ou subtraindo átomos de hidrogénio e oxigénio, brincando em redor dos átomos de carbono e transformando alcoóis em éteres, ou ácidos carboxílicos em ésteres. Para um químico apaixonado e criativo, as potencialidades dos componentes do petróleo são ilimitadas!
Não admira que os ingredientes derivados do petróleo tenham dominado a indústria cosmética. São a base de muitos cremes de rosto, géis de banho e champôs; estão nas fórmulas de bálsamos labiais, rímel, baton e gloss.
Como os identificar num rótulo?
É relativamente fácil identificar estes ingredientes na lista de componentes de um determinado artigo cosmético, dado que a legislação europeia exige a apresentação dessa listagem por ordem decrescente de percentagem em cada fórmula. Por exemplo, se encontrar as palavras Paraffinum Liquidum no início da descrição (por exemplo: Aqua, Paraffinum Liquidum, etc.) saberá que é um dos componentes principais nessa fórmula cosmética.
Nomes comuns de derivados do petróleo em cosméticos
O problema com os oclusivos
Muitos dos ingredientes do petróleo são usados pelas suas propriedades oclusivas. “Oclusivo” refere-se a um produto que “tapa” ou “cobre” a superfície da pele, disfarçando imperfeições e promovendo a sua uniformidade. É uma propriedade muito procurada em produtos de maquilhagem como BB cream ou CC cream.
O que me choca, por vezes, é verificar que estes ingredientes oclusivos podem compor até 30% da fórmula de um creme (no qual 60% será composto por água) destinado a pele atópica, tratamento de eczema ou psoríase — peles que tipicamente apresentam anomalias estruturais, que deixam as pessoas com a sensação de secura e comichão e requerem a reposição de lípidos nas diversas camadas da derme.
Se 60% da fórmula é água e 30% são materiais oclusivos para conferir proteção e suavidade à pele, o que acontece com os restantes 10% dos ingredientes da fórmula? Considerando que na fórmula ainda são precisos agentes emulsionantes, estabilizadores, conservantes e, possivelmente, uma fragrância — que quantidade de agentes nutritivos está realmente a fornecer à sua pele?
E: serão os óleos usados compatíveis com as diferentes camadas da sua pele, para serem absorvidos e incorporados de modo a promover a renovação das camadas mais profundas?
O caminho: óleos vegetais compatíveis com a pele
Estar atento aos ingredientes petroquímicos é apenas o início. O verdadeiro desafio está em conhecer os óleos naturais, derivados das plantas, que são compatíveis com a nossa pele e entender como eles podem fornecer a nutrição de que ela necessita — ao mesmo tempo que assumem os benefícios dos ingredientes derivados do petróleo que pretendemos substituir.
A primeira parte do desafio consiste em criar combinações de óleos vegetais de semente que sejam mais adequadas para cada tipo de pele, adaptadas a diferentes temperaturas e climas, e “traduzíveis” em vários tipos de formulações cosméticas.
A segunda parte do desafio consiste em encontrar lotes de matérias-primas que sejam consistentes ao longo do tempo. Como sabemos, a Mãe Natureza não é muito constante — adapta-se a muitos factores e imprevistos climáticos, pelo que do mesmo campo cultivado podem resultar lotes com composição e qualidade variáveis. É aqui que o rigor analítico e o controlo de qualidade fazem toda a diferença.
É neste contexto que a Phytosphera trabalha diariamente: traduzir a biodiversidade dos Açores em formulações cosméticas que nutrem, protegem e respeitam a pele — e o planeta.